Canção de amor e ódio
- Samya

- 26 de dez. de 2018
- 3 min de leitura
Nada como uma comédia romântica hollywoodiana bem clichê para descrever determinadas sensações. Muitos anos atrás eu assisti uma comédia romântica bem adolescente, “10 Coisas que eu odeio em você”, que conta a história de uma menina durona e independente que se apaixona pelo badboy da escola. E ao final do filme, ela lê um texto diante de toda a classe falando de todas as coisas que odeia no tal badboy, interpretado lindamente por Heath Ledger, RIP. E ultimamente este texto tem me vindo com muita freqüência, em especial a frase final. Eu vou aqui fazer a minha versão deste texto e vou copiar a frase final do filme e tudo fará muito sentido. 1 - Eu odeio o fato de você querer sempre dormir muito cedo; 2 - Odeio que vinho seja a sua bebida favorita; 3 - Odeio quando você fica chateada com alguma coisa e fica monossilábica; 4 - Odeio saber que você, exatamente como eu, topa fazer um monte de coisas que não gosta, só para agradar; 5 - Odeio lembrar de você todos os dias; 6 -Odeio pensar que eu não passei de uma história legal que você viveu e já passou; 7 -Odeio saber que você esta se divertindo sem sentir falta da minha presença; 8 – Odeio pensar que você já me esqueceu; 9 – Odeio o fato de você não ter me ligado; 10 – Mas acima de tudo, eu odeio o fato de eu não conseguir te odiar, nem um pouquinho, nem por um segundo, de forma alguma. Porque a mais pura verdade é essa, eu não te odeio. Eu queria muito te odiar, seria muito mais fácil a minha vida, mas infelizmente não é assim que acontece. A memória do seu rosto está um pouco borrada na minha cabeça, mas ainda está lá. Às vezes ainda ouço a sua risada, quando lembro de algo que você acharia engraçado. Essa semana eu fui assistir um show/performance de um moço super jovem, acho que de Pernambuco, e eu fui mais porque estava enjoada de ficar em casa. Sabe quando te dá um siricutico? Uns cinco minutos? E você fala: preciso sair pelo amor de deus? Então, foi isso... E resolvi passar no @alvenaria.art espaço cultural para ver o que estava rolando, qual não foi minha surpresa ao ver essa coisa linda e carismática que foi o tal do Renan Lucena (@rlucena), fiquei simplesmente apaixonada. Estava leve. Como foi gostosa aquela noite, e pensei muito em te ligar, porque é o tipo de coisa que você ficaria apaixonada também. Enfim, esse brother estava lá cantando e recitando poemas de amor e eu pensando, que lindo... Foda-se, já não sofro mais de amor, que bom que pelo menos eu vivi essa historia, muita gente passa uma vida sem encontrar algo tão intenso assim. Mas, o universo, ou Deus, ou o destino, chame do que quiser... Eles gostam de brincar com a gente, ou testar a gente, não sei bem qual dos dois, ou até mesmo mostrar coisas que a gente só vai entender daqui uns meses. De todo jeito eu estava lá, plena, feliz, ouvindo esse menino cheio de vontade e então ele começa a recitar um poema sobre saudades e amor, e eu não me lembro de nada agora, exceto o final: “porque eu sou uma mulher porreta, ou da porra” ou seja, eu sou um puta mulherão e você esta perdendo tempo ai trouxa. O que te leva numa direção muito bacana... “Eu sou sensacional e você vai me perder”, mas na sequência, esse brother começa a cantar uma música que vai na direção completamente oposta.... “eu já fui até a lua pra tentar te convencer, e acabei conquistando a lua, só não conquistei você...” Certo meninas?!! Já estamos a essa altura levemente mexidas com tudo isso que está acontecendo. Eu termino meu cigarro, vou pegar mais uma cerveja e continuar curtindo o show, porque afinal de contas a gente sabe que só o tempo cura as feridas de amor, e eu já estou numa fase ótima, já nem choro mais. Minha cerveja geladinha na mão, nesse calor intenso, eu me aproximo do moço novamente para continuar assistindo ao show e eis que eu percebo... “mas de uma coisa fique certa amor, a porta vai estar sempre aberta amor, o meu olhar vai dar uma festa amor, na hora que você chegar”, e foi ai que começou... Começa com um pequeno aperto no peito, uma sensação meio de febre que te percorre a espinha e estomago, sobe até a boca e vaza pelos olhos. Não só os filmes, mas também as canções fazem isso com a gente. E a pior parte de tudo é você perceber a força daquelas palavras batendo na boca do seu estômago e você compreendendo que aquilo é exatamente o que você faria se ela voltasse. Porque ainda existe amor.
| 24 de Dezembro de 2018|
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