Pela porta dos fundos
- Samya

- 7 de jan. de 2019
- 2 min de leitura
É muito fácil não me lembrar de você... Mas ao mesmo tempo me exige um esforço muito grande de concentração, e toda vez que eu relaxo, acontece alguma coisa que me leva até você. São os casais felizes na minha frente, são as letras do Belchior que eu de repente entendo com uma profundidade que me dói a alma, é o seu pijama que ainda está aqui... A sua falta ainda me dói, a saudade me dói. Você já cansou de se lembrar de mim? Porque eu cansei. Mas você insiste em vir sorrateiramente pela porta dos fundos me gerando toda uma sensação de agonia. Porque você não vem inteira, você vem em pedaços dentro da minha cabeça, ao invés de aparecer na minha porta ou pegar a porra do telefone e me ligar. Já que é pra me invadir, que você o faça de verdade e com convicção, e não assim pela metade.
A cada coisa engraçada ou bacana que me acontece eu quero te contar, e cada momento difícil eu quero dividir com você. Eu não quero mais isso. Eu quero você ou eu quero esquecer você, o meio do caminho não me interessa. Eu sei que você não me quer mais, e eu também não te quero mais. Essa mulher, que não lembra que eu existo, que não me dá noticias eu quero que se foda! Mas aquela que eu conheci, cheia de amor e afeto, que acordava enroscada em mim, que fazia juras de amor pra mim, que não conseguia tirar os olhos de mim, que se enrolava nas minhas cobertas igual criança se aquecendo naquele inverno que a gente se conheceu, aquela mulher que me cedia seu lado preferido na cama só pra me agradar, aquela mulher maluca que tem um banheiro sem porta, porque meu deus... Aquela mulher que me amou e me desejou avidamente... Essa eu quero que venha correndo me abraçar. Onde você foi? Me mostra o mapa que eu vou te buscar.
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