Porque eu me apaixonei!
- Samya

- 27 de dez. de 2018
- 2 min de leitura
Atualizado: 27 de dez. de 2018
O universo acho que gosta de testar até onde eu aguento... eu acabei de me dar conta de algo muito louco. Uns anos atrás eu tomei um pé na bunda, de uma mina que nem era lá grande coisa, mas a questão é, uns dois meses depois eu comecei a trabalhar num espetáculo que falava sobre amor. Olha que bacana! E recentemente me aconteceu exatamente a mesma coisa, mas dessa vez foi um pouco mais complicado, porque foi uma mina do caralho, um grande amor, que acabou simplesmente por alguma razão que ainda não faz muito sentido, porque a gente ainda se amava, enfim, a peça... Um mês depois do termino eu voltei a ensaiar o espetáculo Casa Vazia (@pecacasavazia), que contava a história de duas mulheres que se amavam, mas não conseguiam mais viver juntas, e eu fazia a peça como atriz - então era um pouco puxado, por assim dizer... Enfim, de qualquer maneira, essa primeira peça, “Ou você poderia me beijar”, linda, hoje me veio mente, e eis o porquê: “Parece ser um aspecto estrutural consistente da mente humana que a Memória – especialmente aquela que está se deteriorando - sempre toma como certo que outros compartilham de seu sistema de referências. Em outras palavras, ela acredita em recordação compartilhada. Daí, talvez, o uso comum da expressão: “Você sabe”. E é, obviamente, importante lembrar... desculpe, crucial, para falar a verdade... Hoje em dia, lembrar-se... Que recordação não é uma atividade solitária. Ela pode ser comprovada. Com nomes e lugares. Horários; Datas. Atrocidades. Manifestações. Balcões. Escadas. Portas. Estrelas”. (Excerto da peça “Ou você poderia me beijar” de Neil Bartlett)
E eu acrescento aqui tapetes... porque foi quando tudo voltou. Pela milionésima vez, mas dessa vez foi diferente. Porque eu me lembrei porque foi que eu me apaixonei por ela. Porque com ela eu podia ser eu mesma. Lembrei que naquela terça-feira... foi quando tudo mudou.
Minhas pernas enroscadas nela, nós duas sentadas no tapete, em um abraço intenso, um beijo molhado, a sua boca pequena encaixada na minha, energia atravessando nossos corpos. Minha mão acariciando sua nuca e suas costas, suas mãos segurando minha cintura e meu rosto. Um só corpo, pele contra pele e alguma coisa nascendo. Eu ainda não sabia, mas era amor, e acho que até te conhecer eu ainda não sabia o que era amor. Não de verdade. Obrigada, de coração.
E a parte triste é que de fato a memória compartilhada pode sim ser comprovada. A cada segundo do dia você esbarra com coisas que vão simplesmente te levar para aquele lugar tão gostoso e de plenitude. Não só com ela, mas também pra tantas outras coisas na vida. É você ouvir alguém dizer “credo que delícia”, que você falou tantas vezes ao pé do meu ouvido. Ou então sentar aqui no @yerba.erva e lembrar de quando te vi chorar pela primeira vez, lembrar de quando você se permitiu receber meu ombro pela primeira vez. Os lugares e os momentos estarão sempre aqui me perseguindo, e “amém nós tudo”, a memória é compartilhada, e as referências que eu tenho você também tem. Não é só aqui que o furacão passa de vez em quando.
| 27 de Dezembro de 2018 |
ATÉ ONDE POSSO...VOU DEIXANDO O MELHOR DE MIM. SE ALGUÉM NÃO VIU, FOI PORQUE (talvez...rsrsrs!) NÃO ME SENTIU COM O CORAÇÃO...bjux, Samyta.