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Nothing is gonna hurt you baby

  • Foto do escritor: Samya
    Samya
  • 6 de dez. de 2018
  • 3 min de leitura

Atualizado: 6 de dez. de 2018


Qual a garantia que você tem? Melhor ainda, qual garantia você entrega?


Desculpa querida, mas se tem mais de um ser humano envolvido na história, não há garantias. Às vezes nem com você mesmo é possível ter garantias.


Então como eu faço? Você não faz, você da o seu melhor, acredita que é possível, acredita nas pessoas e vai. Ou como o diria o ditado: “segura na mão de Deus e vai”. Porque nessa vida, a única garantia que temos é a de que não há garantias. Entende?! Olha que bosta. Você nasce rodeado de amor e afeto, conquistando inúmeras pequenas coisas, e então você cresce, tem contas a bancar, histórias para viver, experiências com as quais vai aprender e você segue, achando que tudo vai ser cada vez melhor. Mas nada, absolutamente nada, te prepara pros tombos. E não estou falando de tropeçar num buraco, ou perder o celular num assalto ou coisa parecida. Estou falando de quando o tombo é tão grande que a sensação é de que pegaram a sua cara e esfregaram no asfalto, e com tanta força, que o sangue escorre pela face aquecendo o pescoço e colo. Ou ainda como diria o Ross – e essa vai para os fãs de friends – é como se alguém tivesse enfiado a mão pela sua garganta agarrado seus intestinos, puxado para fora e amarrado no seu pescoço. Correção. Tem sim algo que te prepara para esses tombos... Os outros tombos que você tomou. Eu sei, não é muito animador não. Mas o que você começa a perceber é que nada é insuperável, nada nem ninguém é insubstituível. Nem mesmo você. E é muito fácil eu vir aqui falar tudo isso como se eu fosse a pessoa mais bem resolvida do planeta. Mas a verdade é que eu escrevo tudo que racionalmente entendo, misturado com tudo que inconscientemente me vem para ver se de alguma forma isso se materialize em mim e me permita voar. Não literalmente, mas vocês me entendem não?


E assim, seria leviano da minha parte não informá-los do perigo do vôo tão almejado.


“Espera, agora eu estou confus@. Você não disse que alcançar o vôo poderia ser a ferramenta para se libertar dos danos causados pelos tombos e talvez a forma de adquirir o aprendizado necessário para praticar o desapego and live life to the fullest? E agora você vem me falar dos perigos do vôo? Caceta!”


Sim, infelizmente há perigos à frente. E acho que no fim das contas está tudo muito interligado e cabe a nós conseguir ir além. A grande questão é: os outros têm tanto medo do inusitado e mais ainda, daqueles que se permitem, daqueles que voam, que se você ousar, as chances de alguém amarrar o seu calcanhar ao pé da cama são gigantescas. E com isso, não posso deixar de citar um filósofo. Eu nunca li nada dele, exceto esta citação, mas acho que ela pode trazer clareza para tudo o que estou dizendo aqui.


“Se um dançarino desse saltos muito altos, poderíamos admirá-lo. Mas se ele tentasse dar a impressão de poder voar, o riso seria o seu merecido castigo, mesmo se ele fosse capaz, na verdade, de saltar mais alto que qualquer dançarino. Saltos são atos de seres essencialmente terrestres, que respeitam a força gravitacional da Terra, pois que o salto é algo momentâneo. Mas o vôo nos faz lembrar os seres emancipados das condições telúricas, um privilégio reservado para as criaturas aladas...” Sören Kierkegaard


Assim, a única coisa que eu posso dizer a vocês e a mim mesma é: “Não temam. Corram os riscos. Protejam-se. Corram riscos de novo. Há sempre algo ou alguém para te fazer duvidar. Não perca a fé em si mesma, nem por nada, nem por ninguém.”


| 06 de Dezembro de 2018 |

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