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Quantas cagadas você faria de novo?

  • Foto do escritor: Samya
    Samya
  • 10 de dez. de 2018
  • 4 min de leitura

E se você pudesse escolher mudar o passado? Será que você tomaria decisões diferentes? Ou será que repetiria os mesmos erros e escolhas? Quem é capaz de dizer que algo seria diferente?


Um tempo atrás eu vi uma entrevista com o Dustin Hoffman, onde ele fala sobre o que o levou a fazer o filme Tootsie. E durante a entrevista, ele comenta que uma das coisas que deu o ponta-pé inicial do filme foi a seguinte pergunta: “Se você tivesse nascido do sexo oposto, o que você faria de diferente?” O que não é a mesma coisa que dizer: “Como você seria se fosse do sexo oposto?” Mas sim, o que você faria de diferente. E é claro que a minha pergunta inicial não esta no mesmo lugar, mas eu vim para cá hoje para escrever e fiquei me perguntado... E se eu tivesse a oportunidade de mudar o passado, o que eu faria de diferente. E a realidade é que absolutamente nada, quer dizer, é claro que uma ou outra coisa eu poderia alterar, mas nada de significativo. Talvez eu não tivesse ido para aquela festa, que foi uma bosta, ou não tivesse entrado naquela rua, que me levou até o assaltante, mas as coisas grandes e significativas... Não. Não mudaria nada. E olha que eu já fiz muita cagada nessa vida. Porque elas, não só nos dão histórias para contar, como também é como a gente aprende, amadurece. E às vezes temos que errar várias vezes, no mesmo lugar, e ralar a cara no asfalto muito, para poder aprender, mas uma hora a coisa vai. Isso me lembra uma das minhas primeiras paixões platônicas da vida, Gabriela... Nossa, como eu era otária! E olha que eu já tinha lá meus 24 anos hein. Sim, foi tudo um pouco tardio por aqui. A primeira vez, a primeira paixão platônica, a primeira vez que fiquei bêbada... tudo foi pós adolescência, acho que por isso que fiz tanta cagada depois dos 20. Mas em certa medida, acho que foi do jeito que tinha que ser. De novo, não mudaria nada. Mas voltando a Gabriela, eu me lembro que vi essa mina na balada uma vez... Ela tava linda, dançando no meio de uns amigos, e eu fiquei olhando de longe, e quando ela saiu para comprar bebida, eu fui cheia de atitude e roubei um beijo dela. Simples assim. Não foi bem um beijo, foi mais um selinho, mas a sensação foi incrível. Porque tinha nela, um misto de surpresa com flerte. Eu fui embora pensando satisfeita comigo mesma. E talvez, If I had played my cards right... Isso poderia ter se transformado em algo mais significativo que uma paixão platônica. Mas não! Eu simplesmente deixei a empolgação tomar conta, inclusive, eu nem sei bem como foi que do dia para a noite eu enlouqueci, mas foi o que aconteceu. Acho que é coisa de sapatão né? Você fica uma vez com a mina e no segundo encontro já pega uma cópia da chave, dizem! Nunca aconteceu comigo. Mas, voltando, eu fiquei louca. Toda a festa que eu sabia que ela iria aparecer, eu dava um jeito de ir. Porque Meu Deus?! Mas também, quem nunca?! Isso foi só uma das coisas que eu fiz por mulheres. E só pra não ficar com um simples exemplo... Vamos à outra, que vou chamar de Andréia. Primeiro amor, primeira paixão, primeiro ensaio de namoro. Depois de um mês e meio saindo com ela, despenquei de São Paulo para Salvador só para passar o fim de semana com ela num quarto de hotel. E posso falar... foi sensacional, valeu cada centavo gasto. Não me arrependo, e também não me arrependo de ter ligado para ela 11 vezes na noite em que eu percebi que tudo tinha acabado e ter ido dormir chorando por causa dela. Porque depois disso, nunca mais repeti essa infâmia na minha vida. No dia seguinte nos falamos, terminamos tudo e eu sobrevivi. E hoje tenho um carinho gigantesco por ela. É claro que não posso dizer isso de todas as minhas ex, algumas eu quero enfiar um murro na cara, outras não quero ver nem pintadas de ouro... Mas algumas delas ficarão para sempre aqui no meu coração. E apesar de ter feito muito papel de otária na vida, nenhuma delas pode dizer que eu não tentei ou não me entreguei. Se tem uma coisa que eu faço com maestria nessa vida é me jogar quando estou apaixonada. Eu enfio sim o pé na jaca, sofro por amor, choro, sinto saudades, e depois passa. E é tão bom poder falar dessas mulheres incríveis que passaram pela minha vida. Um dia ainda escrevo um texto para cada uma delas, até para aquelas que não quero mais ver. Porque sem elas, eu não seria quem eu sou, e não teria aprendido para ter histórias mais incríveis com as outras que vieram na seqüência.


E pra encerrar essa conversa de hoje, vou citar aqui um trecho de um dos primeiros filmes que eu vi com um casal de lésbicas na vida, Gia, que conta a história de Gia Marie Carangie. Assistam, vale muito a pena.


“Vida e morte. Energia e paz. Se tudo acabar hoje ainda assim valeu a pena. Até os erros gigantescos que eu cometi e que eu não cometeria de novo se eu pudesse. As dores que me queimaram e marcaram a minha alma, todas valeram a pena, porque me permitiram andar por onde eu andei, que foi pelo inferno na terra, pelo paraíso na terra, de volta mais uma vez, dentro, embaixo, distante ao meio, através de, dentro e em cima”. Gia Marie Carangie.


| 10 de Dezembro de 2018 |

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1 comentário


Davidd Brito
Davidd Brito
11 de dez. de 2018

Amei o texto...

Geralmente nos fazemos essa pergunta todas as vezes que fazemos uma cagada.

Voltar ao passado para arrumar as burradas é impossível, e não temos tempo para arrependimento.

Acho que ao pensar "o que eu faria se tivesse outra chance?" deveríamos pensar que não teremos outra e devemos fazer tudo agora, transformar a dúvida em ousadia.

No final a gente acaba descobrindo que não vamos nos arrepender daquele momento, e que mesmo pequeno aquele foi um momento bom pra krl e se a gente pudesse faria do mesmo jeito e não diferente.

Acho que vou procurar minha Gabriela numa festa ali.


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Porque eu tive a ousadia de tentar!

"É preciso ter ainda o caos dentro de si para dar a luz a uma estrela dançarina" Friedrich Nietzsche

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2018 | O início do Retorno de Saturno.

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