Tudo vale no amor e na guerra
- Samya

- 7 de dez. de 2018
- 3 min de leitura

Estou aqui sentada há horas e nada. Absolutamente nada. São tantas coisas para falar, fazer, que no meio disso tudo minhas mãos ficam perdidas. Tento em vão escrever algumas palavras que façam sentido. Escrevo e apago, escrevo e apago. Acho que talvez eu precise de um pouco de ar, ou talvez mais um cigarro, mais um café, mais um cigarro. Você nunca ficou assim?! Com a sensação de que andava em círculos? A sensação de que sua mente entrou em looping e ficou pensando o tempo todo a mesma coisa ou simplesmente se esvaziou completamente?
Como se lida com essa sensação? Às vezes tenho a plena certeza de que sou de fato obsessiva. O que em certa medida é muito bom. Eu não desisto fácil das coisas e quando decido fazer alguma coisa, me lanço de corpo e alma à tarefa. É difícil ser intensa não é?! Não conhecemos o meio termo, o equilíbrio. É tudo ou nada. E isso me lembra aquela comédia romântica maravilhosa que a Kate Hudson fez, “Como perder um homem em dez dias”, onde no meio de um primeiro encontro ela vira para o cara e pergunta: “All is fair in Love and war. True or False?” (Tudo vale no amor e na guerra. Verdadeiro ou Falso?). Pois para mim é a mais pura verdade. Porque se não gente, não vale a pena. Vamos combinar? De que adianta você amar se você não vai se entregar e se lançar ao abismo? Pra que?! Para ficar no meio do caminho? Não é justo nem com você nem com o outro. Nossa, que vontade de fazer uma loucura por amor! Senhor! Preciso parar de falar sobre essas coisas, já começo a ficar louca querendo me apaixonar de novo. É tão bom não é?! Você passa o dia com a pessoa na cabeça, parece que dormiu com um cabide na boca porque não para de sorrir. Então de repente você está atravessando a rua e se lembra da noite anterior, que foi maravilhosa, e sente um arrepio que começa na espinha vai até o cérebro e volta parando na boca do estômago, te dando uma vontade louca de sair correndo e pular nos braços do seu mais novo amor. Ou então você só lembra de quando ela pegou na sua mão pela primeira vez, e todo o arrepio te percorre de novo. Eu não sei vocês, mas eu até busco na memória esses pequenos momentos só pra sentir esse frisson gostoso de novo. Confesso que não tem sensação mais gostosa do que estar apaixonada. Parece que tudo fica mais bonito, mais forte. A gente fica mais sensível a tudo. E pensando em tudo isso, em como isso tudo me completa, lembrando das vezes que eu vi amigos apaixonados também... Eu não consigo entender como muitas pessoas se negam esse privilégio simplesmente por medo.
Eu me lembro uns anos atrás, logo depois que havia chegado em São Paulo, eu obviamente já tinha me apaixonado, já tinha tomado um pé na bunda e estava sentada num bar tomando cerveja com uns amigos, chorando igual uma idiota, e de repente um amigo meu vira e fala: “Pelo menos você se apaixonou e está sentindo alguma coisa, e eu, que estou aqui, sem sentir nada?”
É óbvio que na época eu quis enfiar um murro na cara dele. Mas eu era jovem, e não tinha vivido metade das coisas que eu vivi depois. Hoje eu entendo perfeitamente o que aquele moleque, muito sábio, de 22 anos queria dizer. Não importa se você está sentido amor, dor, raiva, tesão, o que importa é que você esta sentindo. É claro que é melhor sentir as coisas boas, mas no fim das contas, o importante é sentir, porque é o que nos traz vida. É sério! Pensa comigo... Todos esses sentimentos estão emaranhados e misturados. Pensa numa pessoa que você ama, mas que já te deixou com raiva, ou já te fez chorar. Você não consegue separar uma coisa da outra. A maior dificuldade do ser humano, na minha opinião, é conseguir sentir todas essas coisas ao mesmo tempo sem enlouquecer. Porque acredite, às vezes você sente tanta coisa que parece que você não vai suportar. Mas a gente suporta, e a gente vive essas coisas, e depois que o furacão passa, é tão bom, e você já fica louco pra encontrar outro furacão. A vida é um risco que deve ser vivido, e eu não vim aqui a passeio.
| 07 de Dezembro de 2018 |
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